No Rastro do Boi #4
Nesta edição: Novo GT do Mapa, lançamentos de relatórios, Brasil-China e eleições 2026
A missão técnica do Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca (MAFF) do Japão para avaliação sanitária de frigoríficos brasileiros, que havia sido anunciada para março, acontecerá no mês de abril. A informação foi dada por Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), à CNN.
Em nosso quarto boletim, falaremos da formação de um novo Grupo de Trabalho para a sustentabilidade na cadeia de carne bovina, dois interessantes estudos que possuem desmatamento como ponto central e parcerias entre Brasil e China. Você verá também a mais nova edição do Law & Agro.
Boa leitura.
DA PORTEIRA PRA DENTRO
Mapa lança novo Grupo de Trabalho
Na última semana, o Mapa anunciou a formação do Grupo de Trabalho Carne Bovina Sustentável-Cadeia de Fornecimento, focado na avaliação e formulação de práticas sustentáveis na cadeia de carne bovina. O GT trabalhará na promoção da transparência, na integração de informações públicas e privadas e no uso de bases oficiais de dados e de ferramentas de rastreabilidade.
Formam o grupo integrantes do Mapa, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) e da Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO).
O GT vai ter na Secretaria-Executiva Andrea Claudia Parrilla, auditora fiscal federal do Ministério da Agricultura e Pecuária, e Alexandre Amaral, Auditor de Controle Externo. A lista completa de membros pode ser conferida na portaria nº 396, divulgada no Diário Oficial da União.
Sem zero, apenas desmatamento

Uma parceria entre o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e a Mighty Earth avaliou como algumas das maiores empresas envolvidas nas cadeias de carne bovina, soja e varejo lidam com as pressões pelo combate ao desmatamento em seus trabalhos.
O relatório “Sem zero, apenas desmatamento: Análise de compromissos de desmatamento e conversão zero de empresas de soja, carne bovina e varejo no Brasil” traz os resultados de análises sobre a atuação de 3 frigoríficos, 4 supermercados e 7 traders de soja. Ele avaliou as políticas corporativas, mecanismos de rastreabilidade, transparência e monitoramento dessas companhias, e identificou inconsistências entre os compromissos declarados e cumpridos.
“Sem o controle de toda a cadeia de produção, especialmente dos fornecedores indiretos, o mercado não consegue diferenciar compromissos efetivos de declarações formais, o que afeta decisões de investimento e o acesso a mercados. O compromisso com o desmatamento zero é urgente; trata-se de uma questão de segurança alimentar e de responsabilidade planetária, mas também de eficiência econômica. Sem saber exatamente de onde vêm a carne e a soja que chegam ao mercado, os riscos aumentam para consumidores, investidores e para o próprio país.”
Samanta Fabbris, analista do Programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Idec no Brasil
Leia mais em mightyearth.org
Law & Agro
No último boletim, apresentamos o Law & Agro, criado para avaliar de perto os assuntos que têm engajado multiplicadores de mensagem em canais de comunicação do setor.
Muito mais perto, mostrando que a cabeça pensa melhor onde os pés pisam, estão os personagens do tema central da mais recente edição do material: a Expedição Agro na Amazônia.
Atores cada vez mais relevantes, pé (na lama e) na estrada, ouvidos atentos aos anseios do produtor e olhos nas eleições de 2026.
Mulheres e jovens como protagonistas
O governo de Santa Catarina, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), lançou um projeto com foco em um dos principais gargalos do agro: a sucessão familiar.
Batizado de “Moradia para Jovens e Mulheres”, o programa oferece uma linha de crédito de até R$ 100 mil, com condições mais acessíveis de financiamento, para investimentos em obras residenciais. A ação tem o objetivo de fortalecer a permanência de jovens e mulheres na atividade agrícola. Eles também poderão acessar outras iniciativas de estímulo à sucessão e gerenciamento de propriedades.
Veja aqui mais informações.
(@) Ela é do Agro
Assim como fizemos em nossa última publicação, trazemos novamente uma mulher que é referência pelo trabalho de comunicação: Aretuza Negri, a voz do @elaedoagro no Instagram.
Nas últimas semanas, com a alta do diesel em destaque, ela abriu o debate sobre transição energética em seu perfil. Teve conteúdo de teor técnico, como este vídeo sobre a utilização de máquinas a etanol, e também um relato do tema sob uma ótica muito particular, trazendo inclusive lembranças de conversas com seu pai para falar de descarbonização no campo.
Veja abaixo:
DA PORTEIRA PRA FORA
Cooperação Sul-Sul

Uma delegação chinesa esteve no Brasil para agendas de estruturação e apresentação da Plataforma China-Brasil Green Food Value Chain (PCBGFVC), parceria da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas (CAAS) e da Fundação Getulio Vargas (FGV). A ferramenta de cooperação bilateral terá foco na sustentabilidade das cadeias de carne bovina e soja.
Com a plataforma, os dois países pretendem construir cadeias alimentares mais sustentáveis e inclusivas por meio de produção, divulgação e troca de conhecimento, gerando insumos para o diálogo com o poder público. O projeto tem financiamento da Agência Norueguesa para Cooperação para o Desenvolvimento (NORAD) e conta com a parceria institucional de:
No Brasil
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – Universidade de São Paulo (Esalq-USP)
Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)
Embaixada do Brasil na China
Na China
Academia Chinesa de Cooperação Econômica e Comercial Internacional (CAITEC), vinculada ao Ministério do Comércio (MOFCOM)
Academia Chinesa de Silvicultura (CAF), vinculada à Administração Nacional de Florestas e Pastagens
Universidade de Zhejiang, Universidade de Pequim (Peking University) e Universidade Tsinghua
Veja aqui mais informações sobre a agenda da delegação chinesa no Brasil.
Efeito Beijing-Brasília
Um relatório da Trase evidenciou o potencial de influência de Brasil e China, detentores da mais importante relação bilateral de commodities agrícolas do mundo, na segurança alimentar e no combate às mudanças climáticas.
Dados recentes mostram que mais da metade das exportações brasileiras vão para a China e que 34% do que os chineses importam sai de nossas terras. Juntos, os países respondem por 25% do risco de desmatamento associado dentro do segmento e podem ser referência na reformulação do modelo de comércio sustentável.
O estudo “O Efeito Beijing-Brasília: Um novo paradigma para o comércio sustentável de commodities agrícolas?” aponta o caminho para as mudanças: troca de conhecimento, mobilização de financiamentos, definição de padrões conjuntos, combate à ilegalidade e fortalecimento da cooperação Sul-Sul.
Saiba mais em trase.earth
Sociedade civil reunida em Pequim
A cooperação entre as duas maiores economias do Sul Global também foi tema de workshop realizado na capital chinesa. O evento teve foco em possíveis ações de conservação de ecossistemas, segurança alimentar e fortalecimento de cadeias de suprimentos verdes.
Do lado brasileiro, cinco organizações da sociedade civil estão à frente da iniciativa: Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Plataforma CIPÓ, Instituto Centro de Vida (ICV) e O Mundo Que Queremos.
Para Guillaume Tessier, do Instituto Clima e Sociedade (iCS), “a presença de uma delegação unificada da sociedade civil brasileira na China envia uma mensagem clara sobre a urgência de eliminar o desmatamento das cadeias de commodities. Ao reforçar esse compromisso de forma coletiva, também destacamos que proteger os ecossistemas naturais é essencial para garantir a segurança alimentar e a estabilidade das relações comerciais, especialmente com a China, principal destino das exportações agrícolas do Brasil.”
Leia outras percepções sobre o encontro em imazon.org.br
Veja também
Prioridade ao Pará: uma comitiva brasileira esteve na embaixada do país em Washington para negociar a ampliação das exportações de carne bovina aos Estados Unidos. Entre as demandas apresentadas, destacou-se um pedido da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) para que frigoríficos do Pará estejam habilitados a enviar seus produtos. O estado, que liderava a “corrida” da rastreabilidade individual, adiou em dezembro os planos de obrigatoriedade para 2031. Veja mais.
Caravana do Agro Exportador: o evento teve sua 28ª edição realizada em Goiânia (GO) no dia 17 de março, com foco em acesso a mercados e rastreabilidade na cadeia de carne bovina. A iniciativa é da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) do Mapa e promove debates com atores de diferentes cadeias produtivas sobre temas-chave que podem impulsionar exportações. Confira por onde a caravana já passou.
Projeto “Sustentabilidade na Cadeia da Carne Bovina”: a iniciativa foi apresentada em evento realizado pelo Insper Metricis e o Insper Agro Global. O encontro detalhou as principais barreiras identificadas na construção do projeto e suas respectivas propostas de ação, que foram divididas em cinco pilares:
1 - Governança e Coordenação Setorial2 - Fortalecimento de Capacidades e Difusão do Conhecimento
3 - Melhoria do Ambiente Regulatório e Ações de Regularização
4 - Sistemas de Informação, Padrões e Monitoramento
5 - Incentivos Econômicos e Instrumentos Financeiros
Assista ao evento na íntegra:





