No Rastro do Boi #5
Nesta edição: Baixa na Agrishow, propostas para o ano eleitoral, rebranding de presidenciável e mais
O encerramento do mês de abril foi marcado pelo primeiro registro de queda em negócios da Agrishow desde 2015, e dois lançamentos importantes: a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) publicou no último dia 27 seu Plano Agrícola e Pecuário 2026/2027 com propostas para o fortalecimento das políticas agrícolas no país. A Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, por sua vez, divulgou o relatório de resultados de 2025.
A quinta edição do nosso boletim também traz novidades do Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, do mercado asiático, além do perfil de um presidenciável no mais recente Law & Agro.
Boa leitura.
DA PORTEIRA PRA DENTRO
Plano Agrícola e Pecuário 2026/2027
O Sistema CNA, que engloba também o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e o Instituto CNA, lançou o documento com suas propostas prioritárias para o campo em um ano-chave, com eleições batendo à porta e um cenário desafiador para boa parte dos produtores rurais.
A organização alertou que o momento pede a adoção de uma abordagem estruturante para a política agrícola brasileira, para além de planos anuais e de curto prazo, e reforça a necessidade de proporcionar mais previsibilidade fiscal a quem movimenta o setor, que passa por um momento de incerteza, volatilidade e riscos crescentes.
Acesse aqui o material completo.
Agrishow registra queda de 22% nos negócios
A maior feira de inovação no agro da América Latina registrou seu primeiro recuo nas vendas desde 2025. Segundo João Carlos Marchesan, presidente da Agrishow, uma série de fatores combinados brecam atualmente os investimentos de produtores em tecnologias, de incertezas sobre linhas de crédito aos reflexos do cenário geopolítico nos preços de insumos.
O evento aconteceu entre os dias 27 de abril e 1º de maio em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, e reuniu mais de 800 marcas e quase 200 mil visitantes.
Relatório anual da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável
Foi divulgado o Relatório de Resultados da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, associação formada por mais de 60 organizações de diferentes elos da cadeia pecuária.
Segundo Ana Doralina Menezes, presidente da associação, temas como clima, segurança alimentar, rastreabilidade e bem-estar animal colocaram a pecuária brasileira no centro dos debates internacionais em 2025, ano que também foi marcado pelo lançamento do Guia de Bem-Estar Animal e de um estudo sobre rastreabilidade.
Confira aqui o relatório completo.
Início de projetos-piloto no Tocantins

Os planos para adoção voluntária da rastreabilidade bovina no estado avançaram. No início de abril, a Agência de Defesa Agropecuária (Adapec) do governo do Tocantins ofereceu o primeiro curso técnico sobre o tema para 60 servidores, que serão multiplicadores da iniciativa no campo. A formação aconteceu em Miranorte, na Fazenda Bacaba, e teve foco em fortalecimento da atuação técnica e controle sanitário.
Na semana seguinte, a Adapec iniciou a fase de testes de identificação individual em propriedades consideradas estratégicas, com até 200 animais. O estado pretende antecipar a implementação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB) e agregar competitividade à sua carne.
Resultados do Programa de Reinserção e Monitoramento (Prem) em Mato Grosso
O Instituto Mato-Grossense da Carne (IMAC) divulgou que uma área do tamanho de 5.868 campos de futebol está em processo de regeneração ambiental, fruto do Programa de Reinserção e Monitoramento (Prem). A estimativa é de 0que mais de R$ 900 milhões voltarão à cadeia produtiva com o desbloqueio de pecuaristas - no total, foram 167 produtores reinseridos no mercado formal por meio do programa desde 2022.
O Prem é ponto-chave do Passaporte Verde, iniciativa do IMAC voltada à sustentabilidade na produção de carne para a ampliação de acesso a novos (e mais exigentes) mercados. O Mato Grosso foi o responsável por quase 27% da carne brasileira exportada no primeiro trimestre de 2026, maior índice já registrado.
Carne Sustentável e Orgânica do Pantanal - MS
O governo do Mato Grosso do Sul atualizou as regras do subprograma de Apoio à Produção de Carne Sustentável do Pantanal, parte do Proape (Programa de Avanços na Pecuária) e criado em 2018. A principal mudança anunciada foi no modelo de certificação das propriedades, que passará a ser feita por uma associação de produtores e verificada semestralmente pela Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).
Também foi criado o PPC - Protocolo Pantanal em Conformidade, que estipula critérios mínimos para aprovação do produtor. As alterações, publicadas no Diário Oficial do Estado do Mato Grosso do Sul de 16 de Abril de 2026, podem ser conferidas neste link.
Law & Agro
O Law & Agro #6 trouxe reflexões sobre o presidenciável que melhor fala a língua do produtor rural: Aldo Rebelo. Conhecedor real de um Brasil profundo, ele se formou no PCdoB, passou por diversos ministérios em governos do PT e foi o relator do Novo Código Florestal.
Seu rebranding começa em 2021. Hoje, é fonte de confiança do agro para a agenda climática e temas como defesa do território e desenvolvimento econômico. O ideólogo nacionalista que pode representar e acolher o setor - ainda que sua candidatura não esteja entre as mais promissoras em termos eleitorais, mas relevante em termos político-ideológicos.
Legislação trabalhista
A próxima edição do material colocará a lupa sobre um movimento coordenado que, ao que tudo indica, pretende remover trabalhadores rurais de qualquer nova legislação trabalhista no país.
O tema ganha cada vez mais repercussão em meio aos debates sobre o fim da escala 6x1 no Congresso, mas há tempos observamos porta-vozes de entidades relevantes do setor, como a CNA e a FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), colocando suas cartas na mesa.
A grama do vizinho é mais verde?
Temos acompanhado também, e cada vez mais, a construção de uma narrativa de total inviabilidade para produzir em solo brasileiro. Seja pela possível redução da jornada de trabalho, como citamos acima, por “leis ambientais inimigas do produtor”, escassez de crédito ou aumento de impostos… segundo apontam as discussões em nossos monitoramentos, o setor está sendo prejudicado e a solução apresentada é a expansão de fronteiras.
O caso mais recente é o da Guiana, que como mostra a matéria da Gazeta do Povo, está oferecendo terras de graça a produtores brasileiros. Abaixo, um vídeo que ilustra bem nosso “inferno tributário”, entre outros fatores que travam o trabalho de quem gera riqueza.
Há casos de brasileiros prosperando na Bolívia, país em que Eraí Maggi Scheffer, um dos maiores produtores do mundo, intensificou a compra de terras, segundo apuração da AgFeed, além de um movimento de fuga para o Paraguai em busca de oportunidades que não são encontradas por aqui.
A pergunta que fica é: a quem interessa mostrar que o segredo da prosperidade no campo está nos países vizinhos?
DA PORTEIRA PRA FORA
Comitiva japonesa na Região sul
Uma missão técnica japonesa veio ao Brasil para avaliar o sistema sanitário nacional, com foco nos três estados da Região Sul. O objetivo da auditoria foi superar o último obstáculo para liberar as exportações de carne bovina brasileira ao mercado japonês.
Para o Brasil, a abertura é atrativa por dois motivos: o Japão, hoje, importa cerca de 700 mil toneladas de proteína por ano, movimentando aproximadamente 4 bilhões de dólares em um mercado dominado principalmente por Austrália e EUA. O segundo motivo é o preço, já que a tonelada poderia ser comercializada entre US$ 4,5 mil e US$ 6,8 mil, valor consideravelmente superior à média de outros destinos.
Se aprovada, a abertura também reduziria a dependência das exportações em relação à China e consolidaria o país como fornecedor premium para mercados de alto poder aquisitivo.
Delegação chinesa conhece o Beef on Track
Entre os dias 9 e 17 de abril, a Associação de Carnes de Tianjin visitou São Paulo, Belém e Brasília para um intercâmbio sobre o Beef on Track (BoT), certificação global de carne bovina livre de desmatamento. A delegação passou por fazendas, frigoríficos e realizou reuniões com o Ministério do Comércio brasileiro, professores da Universidade de Brasília (UnB) e fornecedores de tecnologia de rastreamento.
A ideia é que Tianjin, que já recebe cerca de 60% das importações brasileiras de carne bovina do norte da China, se torne o principal hub de entrada do BoT no país. O primeiro carregamento está previsto para o próximo verão chinês (junho a agosto), com uma cerimônia a ser realizada no Porto de Tianjin.
VEJA TAMBÉM
Segunda vez seguida: o Brasil deve repetir o feito do ano passado e fechar 2026 no posto de maior produtor de carne bovina do mundo. A previsão é do USDA, Departamento de Agricultura dos EUA.
Organização da cadeia produtiva: em artigo publicado no portal AgFeed, o engenheiro agrônomo e membro do grupo estratégico da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, Fernando Sampaio,propõe a seguinte reflexão: por que o maior produtor e exportador do mundo nunca conseguiu organizar sua cadeia de carne de maneira eficiente? No texto, ele analisa as possíveis explicações e alerta que “é uma aposta arriscada achar sempre que exigências vão ser adiadas ou renegociadas ou que o mundo vai sempre vai precisar do Brasil”. Vale a leitura.







